| Education
that works:
Make the Schools compete |
por
Chester E. Finn
Harvard Business Review, Set-Oct 1987 Resumo feito por
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Indice
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# Introdução
# A situação actual # Sugestões para melhorar o sistema educativo # Principais aspectos de gestão # A nossa opinião |
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Introdução
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Neste
relatório é apresentada uma síntese do artigo "Education
that works: make the schools compete" de Chester E. Finn, Jr, publicado
na edição de Setembro-Outubro de 1987 na revista Harvard
Business Review.
Em primeiro lugar, é realizada uma abordagem ao sistema educacional praticado nos Estados Unidos, dando especial atenção ao descontentamento que prolifera na sociedade Norte-americana no que diz respeito às qualificações dos estudantes. De seguida, e dado que é reconhecido à maioria das escolas privadas um bom desempenho na formação dos seus alunos, é indicado um conjunto de sugestões tendo em vista o aumento da qualidade do sistema educativo público, com base em características de funcionamento das escolas privadas. Após a síntese do artigo, salientamos os aspectos de gestão que nos parecem mais relevantes. Por fim, emitimos a nossa opinião sobre a viabilidade de algumas soluções apresentadas e destacamos algumas ideias que consideramos bastante interessantes. |
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A
situação actual
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O
sistema educativo Norte Americano está deteriorado. Embora ofereça
um conjunto de oportunidades de estudo muito vastas, e tendo ¾ da
população completado o liceu, o descontentamento com a qualidade
do sistema educativo é generalizado. Os patrões estão
insatisfeitos com as capacidades, conhecimentos e comportamento dos seus
empregados, os militares estão descontentes com os recrutas, os
professores universitários estão desanimados com os caloiros
e as escolas de pós-graduação estão desapontadas
com a preparação dos estudantes.
Toda a gente concorda que uma população mal formada não pode suportar uma economia produtiva nem equilibrar a balança comercial. Poderia pensar-se que o problema se encontra na falta de fundos nas escolas, contudo, vários estudos têm demonstrado não haver uma relação significativa entre o aumento do financiamento das escolas e a qualidade dos estudantes formados. Para além isso, o investimento na escola é já muito alto, sendo um enorme peso na economia do País. Por exemplo, no ano lectivo 86/87, foi gasta em educação uma quantia que corresponde a cerca de 1170 dólares por cada habitante do País. Os problemas surgem principalmente nas escolas públicas. O sistema educativo público é centralizado, extremamente burocratizado, levando a uma reduzida autonomia das escolas públicas. Devido às restrições impostas por toda a burocracia em que as escolas estão envolvidas, os directores estão limitados nas suas acções não podendo promover qualquer tipo de acções que poderiam aumentar o desempenho escolar dos seus alunos. Um outro factor que contribui para o insucesso destas escolas é falta de objectivos claros e definidos para estudantes e para os professores. Também o facto de não se fazer qualquer tipo de distinção entre bons e maus professores, a existência de uma tolerância completa em relação aos últimos e mesmo de um certo proteccionismo funcionam como um incentivo à inércia. O pouco envolvimento dos pais, o tempo excessivo passado em frente da televisão e a falta de hábitos de leitura, também têm um peso crítico nos resultados obtidos por parte dos alunos. Apesar do panorama descrito anteriormente, existem algumas escolas públicas com um ensino de alta qualidade. Nestas situações pontuais, verifica-se que as escolas possuem características semelhantes às das escolas privadas, ou seja, objectivos bem definidos, liderança forte, currículos coerentes, expectativas elevadas para os alunos, aproveitamento eficaz do tempo de aula e dos recursos disponíveis, um grande envolvimento por parte dos pais e um elevado sentido de equipa entre o pessoal da escola. |
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Sugestões
para melhorar o sistema educativo
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Uma
forma de melhorar o desempenho das escolas públicas passa pela emulação
dos sistemas de controlo e funcionamento que existem nas escolas privadas.
A legislação deveria regulamentar um conjunto de objectivos
mínimos a atingir que devem reflectir as expectativas da sociedade
relativamente aos estudantes que terminam um dado grau de ensino, deixando
liberdade aos educadores (professores e directores) para organizarem as
suas escolas. Paralelamente a isto seria criado um sistema de recompensa
e punição de bons e maus professores, que teria como efeito
o aparecimento de uma forte competitividade entre eles e entre as escolas,
por forma a que os seus alunos tivessem o melhor desempenho possível.
Para garantir o funcionamento do esquema apresentado, ter-se-iam de criar mecanismos de controlo do desempenho das escola por forma a que a competição fosse incentivada e os prémios/punições fossem correctamente aplicados. Os lugares de liderança na escola seriam preenchidos por pessoas que teriam demonstrado possuir boas capacidades executivas e grande criatividade. A carreira docente deveria ser aberta a pessoas com formação noutras áreas, mas a permanência na profissão deveria ser reservada às pessoas que demonstrassem ser dignos do lugar (em termos do desempenho dos seus alunos). O recurso a tecnologia deveria ser feito de modo a maximizar o rendimento que os alunos podem tirar das aulas. Por exemplo, poderiam gravar-se as aulas dos melhores professores ou utilizar o computador para os alunos realizarem exercícios, que levariam muito tempo ao professor a corrigir. Tanto o horário diário como o calendário escolares deveriam ser mais flexíveis para se coadunarem com as necessidades dos estudantes e os empregos dos pais. Também o número de horas de aulas deveria ser aumentado, uma vez que actualmente a carga horária do sistema educativo Norte-Americano é bastante baixa. Para além de todas as sugestões que se referem às escolas, existe um outro factor muito importante que é o envolvimento dos pais. O incentivo à leitura, a redução do número de horas de televisão diária e o interesse pelas actividades escolares dos filhos são factores directamente relacionadas com a accão educativa dos pais e que poderiam levar a melhores resultados académicos por parte dos filhos. A adopção de um sistema de avaliação do envolvimento dos pais neste tipo de actividades poderia estimular os mesmos a uma maior atenção à vida escolar dos seus educandos. |
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Principais
aspectos de gestão
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Os
aspectos de gestão mais relevantes do artigo referem-se às
sugestões que são apresentadas para melhorar a qualidade
de ensino nas escolas públicas. O ponto fulcral consiste na descentralização
do controlo do sistema educativo, criando um mecanismo de recompensa/punição
do bom e mau desempenho dos professores e escolas, imitando assim um sistema
de mercado e incentivando à competição pela excelência
na educação. Os pontos importantes neste processo são:
Criar objectivos bem definidos para alunos e escolas. Descentralizar e desburocratizar o sistema de ensino. Incentivar a uma liderança forte, efectiva e criativa. Permitir a escolha da escola por quem a vai frequentar. Incentivar à excelência através de um mecanismo de punição e recompensa. Encarar as escolas como uma unidades de produção com gestão própria de recursos, pessoal, horários, currículo e de fundos, avaliando-as apenas em termos de desempenho académico final (os fins são mais importantes que os meios). Permitir a criação de escolas por grupos de educadores. |
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A
nossa opinião
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Com
o esquema sugerido, ao fazer-se o enquadramento das escolas num sistema
de mercado, muitas escolas não seriam capazes de tornar-se competitivas,
por falta de iniciativa ou de coordenação, o que poderia
levar a que as escolas com mais sucesso ficassem sobrelotadas, fazendo
com o seu desempenho fosse afectado. Uma melhor solução talvez
fosse um meio termo entre um sistema puramente competitivo de "mercado",
como o que é sugerido, e um de controlo estatal, por forma a evitar
a "morte" forçada de muitas escolas (para dar um exemplo extremo,
apesar do fraco desempenho académico de uma escola de ghetto, ela
realiza ainda uma função social importante servindo de tábua
de salvação para alguns jovens).
A criação de mecanismos de controlo para verificar o desempenho das escolas é fundamental para complementar e validar a autonomia dada às escolas, mas, segundo a nossa opinião, extremamente difícil de implementar. Embora já existindo um "ranking" para as universidades, podemos antever a complexidade de um processo semelhante para um número elevadíssimo de escolas dos níveis básico e secundário. Para além dos problemas que advêm do grande número de escolas existentes, há a considerar a dificuldade no estabelecimento de padrões e métodos para a realização do controlo pretendido. A abertura da carreira docente a pessoas com formação em áreas distintas parece-nos bastante problemática. Quando está em causa o ensino de crianças, pensamos ser fundamental uma formação pedagógica adequada, dada a importância da qualidade do ensino básico no desenvolvimento das capacidades da criança. Uma pessoa pode ser um profissional excelente, mas muito provavelmente desconhecerá os métodos adequados para ensinar e acompanhar crianças. Tais problemas a nível de educação superior não são tão notórios dada a existência de uma maior maturidade dos alunos mas, na educação básica e secundária são críticos. A necessidade do envolvimento dos pais na escola é um facto bastante discutido e valorizado. Neste artigo surge uma ideia interessante, que seria a existência de um sistema de avaliação para os pais. Esta é uma excelente ideia que poderia levar a um efectivo aumento do desempenho dos alunos (embora provavelmente não fosse muito popular entre os pais). Para além de não existirem incentivos para os professores das escolas públicas, também não há mecanismos punitivos para a indiferença e mau desempenho. Achámos extremamente interessante a sugestão para a criação de mecanismos de recompensa e punição tanto para directores como para professores. |